Entrevista: Chad Reed
Por: Renato Dalzochio Jr
Em 25/11/2014
Australiano falou ao Racer X Online sobre as expectativas para a temporada 2015 do AMA Supercross. Confira!

Dizer que Chad Reed foi uma das grandes sensações da temporada 2014 do AMA Supercross não seria nenhum argumento exagerado. Aos 31 anos de idade, Reed foi visto como um veterano de guerra do esporte, um bicampeão que correu e derrotou os melhores pilotos do mundo desde que chegou aos Estados Unidos em 2002. Um cara que nunca teve medo de dizer o que pensa e fazer as coisas a sua maneira (embora tenha falhado algumas vezes).

Após experimentar uma lesão que devastou sua temporada 2013, o australiano entrou na nova temporada aparentemente como um piloto que estava jogando a última carta do baralho na sua carreira. Entretanto, ele não só brigou de igual para igual com Ryan Villopoto, Ryan Dungey, James Stewart, Ken Roczen, Eli Tomac e os demais favoritos ao título, mas também conquistou duas grandes vitórias, em corridas que ainda serão comentadas por muito tempo.

 

E se não fosse o tombo que o tirou do campeonato em San Diego, com certeza ele teria ido muito mais longe na briga pelo título. Com a temporada 2015 se aproximando, Chad Reed está pronto, mais uma vez, para tentar provar do que pode ser capaz. Após uma temporada sem brilho no AMA Motocross deste ano, Reed está disposto a dar o seu melhor pela equipe Discount Tire/Two Two Motorsports e todos os envolvidos. Não somente na abertura do campeonato em Anaheim 1, mas também nas outras 16 etapas da temporada.

Com quatorze anos de carreira, quais seriam as expectativas dele para os desafios que vai enfrentar na nova temporada? O site da revista norte-americana Racer X foi atrás do veterano para tentar descobrir. Confira a seguir a tradução na íntegra da entrevista com o piloto australiano, que ensinou o mundo do motocross, em mais de uma ocasião, a nunca desistir e sempre dar a volta por cima.

 

Chad, como você está se sentindo?

Estou me sentindo bem. Apenas começando o trabalho. Estamos em meados de Novembro e praticamente tudo começa em Outubro. Em meados de Novembro você já sabe do que pode ser capaz de obter.

 

Voltando a esta época no ano passado, quando conversamos um pouco, você estava muito decepcionado com alguns “elementos” da indústria do motocross. Você sentiu que algumas pessoas estavam duvidando do que você poderia ser capaz de fazer em 2014. Um ano depois, como você se sente em relação a isso para a temporada 2015?

Um ano depois e continua a mesma coisa de sempre. É uma loucura, sabe? Eu venho correndo na categoria principal desde 2003 e é sempre a mesma coisa. Parece que a cada ano você está recebendo as mesmas perguntas e as mesmas críticas. Eu sinto que as questões ainda são as mesmas. No entanto, estamos muito mais à frente neste ano. Tem sido muito bom pilotar uma moto que me tornou capaz de vencer corridas e estar no pódio, me senti confortável a partir daí.

Não mexemos muito na moto em relação ao ano passado. Apenas onde ela é fraca tentamos deixá-la forte, e onde já é forte tentamos deixar ainda mais forte. Eu meio que acabo de “afinar” tudo. Mas não houve grandes mudanças, nem de modelo, nem de cor da moto. Foi um prazer pra mim poder tirar um período de folga na entressafra da temporada, ficar 100% fisicamente e começar a deixar as coisas claras na minha mente. Estou trabalhando e pronto para fazer o que fizemos no início de 2014. O objetivo é chegar até a última etapa em Las Vegas.

 

Voltando para a etapa de abertura deste ano em Janeiro, no Angel Stadium, você estava incrivelmente motivado para ter sucesso. Você pode replicar isso de novo?

Eu acho que posso replicar sim. Eu acho que posso até fazer melhor. Como eu disse, as coisas não mudaram muito. Na minha mente, estamos macicamente à frente de onde estávamos no início deste ano e, neste momento, as coisas estão acontecendo. As coisas estavam rolando muito bem até eu me machucar em San Diego. Este ano tive apenas um sentimento diferente. Pela primeira vez na minha carreira eu tinha perguntas de mim mesmo. Saindo de 2013... 2013 foi uma luta. Eu não ganhei nenhuma corrida no supercross e foi apenas a segunda vez em toda a minha carreira que isso aconteceu.

Fiquei entre os 31 e os 32 anos cheio de perguntas e dúvidas. E os rumores acontecendo ao meu redor. Em 2013, eu estava pilotando uma moto que eu não amava, mas estava vendo Justin (Barcia) e Trey (Canard) fazendo as coisas que eu gostaria de fazer e não conseguia.

Então comecei a pensar e me perguntar: “será que chegou a hora? É isso? Será que minha carreira acabou?” Tentei tomar decisões com base nos fatos que eu tinha a minha disposição. Testei todas as motos e acabei escolhendo a Kawasaki. A cada mês e a cada semana que nos aproximamos de Janeiro, as coisas começam a ficar cada vez mais “normais” pra mim. Os sentimentos começam a voltar, os sorrisos começam a ficar maiores.

Com Anaheim 1 se aproximando, sinto-me bastante confortável e confiante, mas ainda assim eu escuto o eco de algumas questões rondando a minha cabeça. Esse ano fui capaz de ganhar duas corridas e estive consistentemente no pódio. Acho que podemos fazer melhor em 2015. Eu honestamente acho que sou uma ameaça real para as vitórias e o título.

 

Quando o AMA Motocross começou você ainda estava se recuperando das lesões de San Diego. Desde a primeira etapa em Glen Helen, você não parecia estar em “sintonia” com as corridas e o ritmo ideal, correto?

Sim, acabei replicando minha temporada 2013 no motocross. Muitos dos problemas físicos que tive em 2013 apareceram novamente. Isso não era o ideal para mim, já aconteceu duas vezes e agora tem sido recorrente nos últimos anos. Agora eu sei que há um problema e que eu preciso fazer o meu papel em cima destas questões. Tenho 32 anos, vou fazer 33 em Março e eu não tratei o meu corpo como o de um atleta; bati nele por anos e anos.

Agora, com três filhos e uma equipe de corrida, vou exigir mais da minha mente e do meu corpo. Há questões que eu preciso resolver e agora eu estou ciente disso. Tem sido um problema constante. Um monte de pessoas podem olhar para isto como algo negativo, mas para mim é verdadeiramente positivo, porque agora eu sei que há um problema e sei que eu só preciso ficar cima dele e espero que a gente não vá ter esse problema nunca mais.

 

Quanto ao esforço da equipe Discount Tire/Two Two Motorsports para 2015, você e a equipe foram capazes de organizar e coordenar todo o seu apoio de patrocínio? Pelo que pudemos perceber, a Discount Tire tem sido muito favorável.

Tenho lidado com patrocinadores por um longo tempo. Acho que eu tive o meu primeiro patrocinador quando eu tinha nove anos de idade. A maioria se depara com um monte de patrocinadores exclusivos e alguns são realmente divertidos, mas infelizmente às vezes eles vêm e vão. É raro que uma empresa, e as pessoas que trabalham para ela, causem um impacto bom e genuinamente grande em sua vida.

A Discount Tire abriu minha mente como uma empresa única, da forma que ela funciona e opera. O nível corporativo, as sessões de autógrafos, os encontros nas lojas, de norte a sul da Califórnia, ou em lugares como o Tennessee, na costa leste, tudo é tão consistente. É isso o que eu gosto. Eu aprecio o valor que a Discount Tire tem como companhia. E o Sr. Bruce Halle (fundador da Discount Tire) acaba de construir uma marca incrível.

É bastante impressionante o grupo de pessoas que temos para trabalhar. Eles são uma grande parte da nossa equipe, mantiveram nossa equipe à tona, nos permitiram crescer e sou sinceramente muito, muito grato por eles. Eu realmente quero ganhar um título de supercross para estes caras, porque eu acho que eles são merecedores. Moto é algo realmente apaixonante. E eu acho que é muito bom ter pessoas como eles envolvidos em nosso esporte.

 

Você possui a sua própria equipe e você está colocando o seu próprio dinheiro nela...

2014 foi o primeiro ano em que tive que usar minhas próprias economias. É um saco ter que fazer isso, mas procuro fazer direito. Já pilotei para outras equipes no passado, então acho que eu seria um hipócrita se de repente eu começasse a fazer cortes maciços, que afetasse o meu desempenho ou me colocassem em risco de fracassar. Portanto neste ano, aceitei a condição de que seria melhor mergulhar no meu próprio bolso.

Às vezes, você tem que colocar o seu dinheiro onde estão as oportunidades, e eu fiz isso. Estávamos em uma boa posição para ganhar o campeonato, mas infelizmente eu acabei me machucando. No fim das contas, aprendi muito este ano sobre os orçamentos e a forma que uma equipe de corrida trabalha em relação a isso. Há uma coisa que eu nunca vou querer afetar na equipe, que é o nosso desempenho.

O orçamento te permite muitas coisas e pode te impedir de muitas outras. 2014 foi a nossa pior temporada, mas ao mesmo tempo foi a mais gratificante, porque fomos muito longe. Me deixa muito orgulhoso a relação que construímos com a Kawasaki e o fato de que eles confiam em mim e acreditam em mim. E se não fosse por uma lesão, eu tinha uma grande chance de conquistar o título do supercross em 2014.

Vamos trabalhar de novo em torno disso em 2015, com mais apoio, já que trouxemos o Josh Grant. Ter um segundo piloto era um objetivo de longa data. Tenho muita fé em Josh Grant, acho que ele tem muito talento. Estamos apenas começando o trabalho.

Josh Grant será companheiro de Reed na equipe Two Two Motorsports em 2015

 

Que outras empresas estão em sua linha de patrocínio para 2015?

Estamos apenas esperando assinar os contratos para confirmar. Tenho um negócio pessoal com a Monster e mais alguns patrocinadores no gancho, mas podemos assinar ou não assinar. Com um pouco de sorte, tudo em 2015 vai ser idêntico a 2014, com Shift, Fox, Oakley e Monster.

 

O AMA Supercross 2015 promete ser selvagem. Ryan Villopoto foi para o Mundial de Motocross e James Stewart ainda está resolvendo seus problemas fora da pista (caso antidoping). Ken Roczen foi para a Suzuki, Justin Barcia vai andar de Yamaha, Eli Tomac certamente vai ser candidato ao título. Há ainda Trey Canard, Ryan Dungey e Davi Millsaps no páreo. Como você enxerga o cenário competitivo para 2015?

Eu acho que é uma forma interessante de olhar para o campeonato. Eu acho que no papel você olha e pensa: “uau! Um grande momento para fazer parte do supercross!” Para mim, eu estou animado. Quando você coloca no papel todos esses nomes que você mencionou, percebe que será uma temporada incrível. Há uma grande quantidade de jovens rapazes, talentosos. Há um monte de caras experientes. Acho que apenas três já foram campeão, eu, James e Dungey. Temos um monte de campeões da lites subindo.

Minha opinião pessoal é que no papel, tudo é impressionante. Mas para ser honesto com você, pra mim tudo se resume a quem será capaz de fazer o melhor trabalho. Há um monte de campeões nesta categoria e é provavelmente um dos maiores grupos de pilotos favoritos que eu já vi nos últimos anos. De maneira nenhuma estou subestimando os outros. Contudo, no fim das contas, o gate cai e sempre teremos 20 voltas pela frente.

Acho que quando o campeonato vai para a costa leste e passam-se as primeiras três corridas naquela região, a disputa fica ainda mais equilibrada. Acho que as etapas da Califórnia também serão muito equilibradas. A intensidade e o ritmo serão muito, muito altos. Na minha opinião, as seis primeiras corridas são de sobrevivência. Depois delas, todo mundo começa a querer tomar vôos mais longos e os elementos reais do supercross, que você precisa manter para permanecer na briga pelo campeonato, entram em vigor.

O passar do tempo está me deixando cada vez mais ansioso. Com tantos caras competitivos, as coisas não se resumem apenas em vencer corridas. É claro que vencer ajuda, mas estar no páreo em todos os finais de semana é fundamental. Não gosto do atual sistema de classificação, é uma piada, as semifinais sugam os pilotos e colocam uma outra variável inteira no supercross. Muda um pouco as coisas. Vamos ver quem vai ser mais consistente até Vegas.

Com tantos caras rápidos, as coisas podem mudar drasticamente se um piloto vencer neste fim de semana e for o sexto colocado no fim de semana seguinte. Haverá grandes oscilações pontuais. Acho que quem estiver na briga todo o fim de semana, chegará em Las Vegas com boas chances de ser campeão. Honestamente, eu quero ser o cara com o maior número de pódios. Basicamente eu quero ser o cara que eu sempre fui: no pódio o tempo todo, vencendo corridas quando puder e tentar ganhar o campeonato em Las Vegas.

Reed no Motocross das Nações 2014 na Letônia

 

Tenho que fazer esta pergunta: o que você acha do Villopoto no Mundial de Motocross?

Meu objetivo na carreira sempre foi os EUA, mas Ryan cresceu aqui, então acho que o que ele está fazendo é algo realmente único, legal. Acho que vai ser muito bom e as pessoas lá vão tratá-lo bem. As corridas vão ser divertidas para ele. Acho isso bom para as corridas de moto como um todo e é obviamente bom para os pilotos da AMA. Não creio que ele vai ter muita dificuldade.

Quando a notícia foi anunciada pela primeira vez, muitos questionaram a decisão dele, mas ele parecia bastante motivado desde o início. Acho que ele vai se divertir muito, mas não vai apenas passear, ele vai brigar pelo título e será difícil detê-lo.

 

Você tem um monte de fãs, que significam muito para você, assim como você significa muito para eles. Como é que Chad Reed se vê em 2015?

Eu quero ganhar e fazer o que for preciso para vencer. Essa provavelmente é a melhor maneira de pré resumir 2015. Estou trabalhando duro e mudei minha rotina ao ponto de me beneficiar ao máximo e continuar me divertindo. E eu sinto honestamente que as pessoas precisam pensar com cuidado a respeito da minha idade, porque eu acho que a minha idade pode ofuscar as opiniões e crenças das pessoas, porque sinceramente eu me sinto melhor do que já me senti em muitos, muitos anos.  Eu realmente acho que vou ter uma boa chance em 2015. Vamos ver. Vamos ver em Maio. Eu gostaria de ter essa conversa outra vez em Maio (risos).

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