Belas do Motocross: presente x futuro
Por: MXF Brasil
Em 01/12/2015
Um texto representando todas as pilotos femininas do Brasil

*O site Cross Clube Brasil é um espaço democrático para debater e expor ideias e opiniões sobre o motocross. Portanto, as opiniões do autor do blog, expostas no texto abaixo, não representam obrigatoriamente as opiniões da equipe do site Cross Clube Brasil.

 

Texto: Girino Ker

Fotos: Jefferson Coelinho e divulgação.

 

21 anos. Essa é a diferença de idade entre Mariana Balbi e Thais Castro, duas mineiras que vem fazendo história no motocross brasileiro. Mariana Balbi, atleta multicampeã e musa inspiradora, é também a mais respeitada e admirada piloto feminina da atualidade no país. Teve seu início nas competições em 1992, aos sete anos de idade. Desde então segue sua jornada diária de profissional exemplar. São 23 anos de intensa dedicação e abdicação de vida, altos e baixos, quedas e saltos, mas nada impediu tamanha determinação que a levou a ganhar o mundo! Dona de vários títulos nacionais, Mariana coleciona também várias participações em alguns dos maiores campeonatos internacionais, tais como:

Mariana Balbi
 

- Primeira mulher a vencer uma prova do Brasileiro de Motocross na categoria MX3 contra os homens – Canelinha (SC) em 2009.

 - Única mulher no mundo que se classificou e marcou pontos numa etapa do Mundial de Motocross na categoria MX1 – Canelinha (SC) em 2009.

 - Primeira brasileira da história a competir no WMA (campeonato feminino de motocross dos Estados Unidos).

 - Em 2009 participou das últimas três etapas do WMA, subindo ao pódio duas vezes em segundo e uma vez em terceiro lugar.

 - Em 2010 sofreu uma lesão no ombro no início da temporada do WMA, mas ainda assim subiu ao pódio mais de uma vez e terminou o campeonato em quinto lugar.

 - 2010 - Se classificou e correu a categoria MX1 no GP Brasil do Mundial de Motocross em Campo Grande.

 - 2012 - Correu a temporada completa do WMA nos Estados Unidos e terminou em quarto lugar.

 - 2013 - Conquistou o título da categoria feminina no Campeonato Brasileiro de Motocross. Também foi campeã da categoria MXF e MX3 na Copa Minas Gerais de Motocross.

 - 2014 - Primeira brasileira a competir no Mundial de Motocross Feminino.

São apenas “alguns” dos títulos que a fazem merecedora de tanta admiração. Foram muitos anos representando a classe feminina e trazendo orgulho a toda uma nação! Mariana melhora a cada ano e hoje demonstra disposição de sobra e boa forma como nunca. Sem dúvida ainda esbanja energia para continuar sendo a top 1 por um bom tempo! Aí perguntamos: o que mudou no esporte de lá para cá? O que o país tem oferecido para as tantas novas promessas femininas, um fenômeno como a piloto mirim Thais Castro por exemplo?

A pequena notável “Tatá” é mineira da cidade de Rodeiro, iniciou nas competições em 2013, ainda com seis anos de idade e vem surpreendendo. Em 2014 foi vice-campeã da Copa Minas Zona da Mata de Motocross e recentemente repetiu o feito neste campeonato em 2015, além de ocupar a 4ª posição na Copa Pro Tork Minas Gerais de Motocross (o maior campeonato privado do país) na categoria 50cc, onde brigará pelo título na etapa final, que acontecerá na cidade de Itabirito nos dias 12 e 13 de dezembro. Muito talentosa, há quem diga que será a próxima Mariana Balbi (claro que sem comparações, já que os tempos são outros). Mariana competiu por toda a sua carreira contra homens e hoje temos um crescimento enorme de participantes femininas nas competições pelo país.

Thais Castro

 

Mesmo tendo cada vez mais mulheres entrando para o mundo Off-Road, muito timidamente elas participam de competições de alto nível, ainda preferindo as competições menores (amadoras). A grande maioria delas opta participar de velocross ao invés de motocross. Ainda não se sabe o porque desta escolha, sendo que no exterior acontece o inverso, talvez porque ainda não saibam que as pistas de motocross projetadas nos dias de hoje oferecem mais segurança. A piloto tem as opções de saltar ou simplesmente “copiar” (contornar) o salto, o que faz com que esse esporte hoje seja menos perigoso, por não exigir as altas velocidades praticadas no velocross.

É vergonhosa a falta de incentivo à classe feminina por parte dos organizadores, e mais ainda das empresas envolvidas que patrocinam, uma vez que elas estão movimentando o comércio deste ramo. Temos verdadeiros talentos sendo desperdiçados sem que os órgãos e entidades, que deveriam promover mas se anulam, simplesmente desconhecem seus verdadeiros papéis.

As nossas competentes pilotos não contam com um mínimo de reconhecimento, está mais que provado. O que as grandes equipes buscam conseguir há anos com os homens, se revertessem o investimento e apostassem em uma de nossas pilotos femininas, o Brasil teria chances reais de conquistar um título mundial de motocross! SE LIGUEM!!!

O mundo mudou e o machismo no esporte brasileiro prevalecerá até quando??? O que podemos ou devemos fazer? Será que a nova gestão da CBM (Confederação Brasileira de Motociclismo) vai optar por driblar esta crise financeira que assola o país e irá usar a inteligência, incentivando as grandes equipes e empresas a apostar no que mais tem movimentado o mercado Off-Road no atual momento??? Será??? Senhores, vamos ficar mais atentos aos nossos “diamantes”. Mariana Balbi está no auge, na sua melhor forma e um título internacional seria uma glória para o nosso esporte e a aposta acertada contribuirá para a nova gestão da CBM!

Equipes e empresas do ramo, deixem as “indicações ou favores de lado”, temos verdadeiros talentos de todas as idades dentro das pistas merecendo seus olhares e a oportunidade para mostrarem o que sabem. Por falta de ações temos atletas de grande potencial e futuro publicando em suas redes sociais que estão se despedindo do esporte por falta de apoio (Ex: Thais Castro). Por todos lados temos os pilotos campeões e veteranos só criticando, ações e apoio a algum piloto ou as categorias de base que é bom, nada!!! Mariana Balbi está aí... Thais Castro está chegando... e o que mudou ou pode mudar?? Ainda podemos chegar lá, o principal, os diamantes, nós temos! Vamos apoiar a causa CBM???

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